Calma. Perdi-me no meio da conversa. Se bem me lembro disseste: '' E olha que não é uma paixão que dura três dias, duas semanas, ou um mês...''. Sim, foi isso mesmo que disseste.E era verdade, eu sei - ou pensava que sabia -, mas naquela altura tive a certeza de que era mesmo isso, sabia que não ias voltar a ser uma pessoa avulso, mas que acabarias por acertar o passo com o pulso ou até mesmo o tempo com o modo. Sim, foi aqui que me tinha perdido. E tu, com ar de quem acorda todas as manhãs com a esperança de que um dia, talvez um dia, voltes a lançar o dado e saia novamente seis e seis (mas quando esse dia chegar, logo se vê), respondeste-me que entre nós não há pesos nem amarras e o silêncio não quer dizer ausência, apesar da ausência reinar nos nossos dias. Pois, até podia ser verdade, se não tivesses tido uma atitude de quem está farto de dar e receber. Nunca é demais, sabias?
A Matilde na terça-feira olhou para mim e sem que eu abrisse a boca explicou: ''Ele escolheu não te escolher.'' E eu pensei, bolas, e é por isso que eu bato com os pés no chão outra vez e perguntou porquê. Mas não, o nosso problema são estas conversas circulares, como quem não se cansa de falar, e falar, e falar. Talvez seja isso mesmo, já dissemos tantas coisas, que agora falamos e não dizemos nada. Sim, possivelmente seja isso.
Tipo, não mata mas mói, incomoda, ferve-me cá dentro, e volto a perder-me.
E é por isso que desta vez, nem uma palavra, só os olhos aos gritos.
" Ver-te assim abandonado / Nesse timbre pardacento / Nesse teu jeito fechado / De quem mói um sentimento ", Rui Veloso
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