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Título

Cai uma lágrima e limpo o rosto. Logo de seguida outra, volto a limpar. Tudo se repete e desisto. Deixo-as correr da mesma forma que o Mondego corre à minha frente, livres. 
Ao mesmo tempo sinto uma dor no peito que dificulta a respiração, deve-se assemelhar a ter um elefante sentado em cima dos pulmões, mas rapidamente alguém diz ''isso é asma''. Solto uma gargalhada. Talvez passados quase 21 anos venha a descobrir que todas as dores de peito não eram provocadas pela angústia mas sim pela asma, talvez fosse mais fácil de aceitar.
Inspiro, expiro. Apercebo-me que nunca antes o título que escolhi para este canto de palavra carregadas de um mundo ás costas fizera tanto sentido. Guarda só o que é bom de guardar. Ficam as manhãs de chuva, as luzinhas de natal, as migalhas de um quase tudo indescritível. 
''Nem sempre a vida corre como queremos. Ás vezes podemos ganhar, às vezes perdemos, às vezes nem sabemos se ganhámos ou se perdemos. Deixa ficar a certeza daquilo que te fez feliz. Ás vezes somos felizes, ás vezes não somos. Mas acabaremos sempre por ser, mais cedo ou mais tarde. Mas se a felicidade esteve por aí, deixa-a ficar num lugar seguro e não voltes lá nos próximos tempos, não olhes para trás.'' Limpou-me as lágrimas roubando-lhes toda a liberdade que lhes tinha dado. Existe mais uma que teima em cair. E então insiste, limpa novamente. ''Não esperes que toda a gente marque pontos positivos a toda a hora. As horas passam, mas haverão outras para passar. Não esperes que o mundo fique a torcer por ti, eu fico, tu ficas, mais meia dúzia de pessoas ficarão, mas nem sempre resulta. Nem tudo está destinado. Abanas mas não cais.''
Engoli em seco todas aquelas palavras e decidi que um dia começaria a escrever em pequenos papéis todos os momentos bons que vou passando e guardá-los-ia num frasco, para que mais tarde, enquanto as horas passam e quando o elefante se levantar do meu peito ou a asma me der tréguas, eu os leia e saiba guardar só o que é bom de guardar.


Ligações invisíveis


- O que é se passa afinal?
- Na... Nada. - a voz voltou a falhar.
- Nada? - procurou uma confirmação.
- Sim, nada!


Achei que tinha sido convincente.

- Eu sei o quanto o teu ''nada'' tantas e tantas vezes significa tudo. Eu sei. Eu vejo as olheiras carregadas que são o resultado de todas as voltas que dás na cama antes de adormecer, eu oiço. O armário dos chocolates também tem sido mais assaltado do que o costume. No outro dia perguntei se querias ir ás compras e encolheste os braços. Já não te oiço cantar tantas vezes nem mesmo no banho. Fiz Red Fish para o jantar e nem reclamaste. A tua irmã pediu-te emprestado aquele vestido que adoras e sem a mínima briga disseste ''está bem''.
Que não queiras deitar isso cá para fora, tudo bem, mas não tentes convencer-te a ti mesma que não é nada. Mesmo quando tudo parece desabar, cabe-te decidir entre rir ou chorar, ir ou ficar, desistir ou lutar.
Não esperes que a vida melhore só porque trazes esse peso nos ombros, o sorriso apagado e no teu interior desejas que tudo mude. - deu-me um beijo na testa e fechou a porta.

Quando acordei ao outro dia, tinha em cima da mesa da sala um bilhete ''Fui ás compras, acabou-se o chocolate de avelãs e posso precisar dele esta noite enquanto as horas passam e finjo que vejo séries. Aproveita e liga o rádio, com sorte dá a tua música preferida. Quanto ao almoço, pensei em Francesinhas, ajudas-me? Ps: a tua irmã meteu uma nódoa no vestido azul, acho que não vai sair.'' Naquele preciso momento agarrei no telemóvel e procurei o nome ''Mana'', ela ia ouvir-me.




Areias movediças



Sentei-me pela primeira vez este ano na areia. Senti aquilo que o Verão tem de melhor: a brisa do mar, o cheiro a protector solar e o calor da saudade. Quase que me esquecia de como era...
Desejei que aqui estivesses, que sentisses comigo aquela dor que a areia teima em infligir nos pés, que reclamasses comigo por encher a tua toalha com essa mesma areia, que fizesses de mim uma torrada de creme enquanto me dás um sermão sobre escaldões. Tem piada, logo de manhã apanhei um... Foi o primeiro sinal de que não estavas aqui.


Na verdade, já não estás há alguns dias, talvez semanas... Mas prometeste que estarias sempre comigo, lembraste? As promessas foram feitas para serem cumpridas e a tua falta já é notada.
Quando entrei na água foi um choque e comparei-o com algumas situações que teimam em não me sair da cabeça. Primeiro estranha-se, depois entranha-se, é o que dizem... Mas eu não quero que se entranhe, isso significaria aceitar sem luta as rasteiras da vida.
Pergunto-me quantas vezes vou ter de pensar no mesmo, desejar o mesmo, trabalhar para o mesmo enquanto sinto que há areias movediças que me puxam para baixo.
Há coisas que não fazem sentido, e no entretanto já enchi a minha toalha de areia, outra vez.
O sol começa a pôr-se, ficam as pegadas das longas caminhadas à beira-mar, ficam os pensamentos de um dia de distracção ilusória e só não fica a certeza de melhorias.
Mas, aprendi que para todo o fim há um recomeço, nem sempre como queremos, quando queremos e com quem queremos; é como o choque de entrar dentro de água, por muito que saibamos que vai custar, tentamos a primeira vez, a segunda e à terceira é de cabeça sem pensar no frio que nos vai congelar os movimentos e os sentidos.
Tenho pessoas a olhar para mim, as folhas vão ficando salpicadas com gotas salgadas e a areia confunde-se com a tinta da caneta; e do nada uma bola toca-me nas costas e alguém diz ''Desculpa, não te queria desconcentrar... Continua.''. Sorri e o sorriso foi-me devolvido de imediato.
''Continua'', pensei eu; não podia ter pedido nem mais nem menos.
Sacudo a toalha, tiro-lhe todas as areias, e com elas as mágoas que tenho carregado. 
Amanhã não haverá praia, mas haverá sempre a esperança de um recomeço.

Seis e seis

''Tu olhas para uma pessoa, uma pessoa que sabes que não é uma pessoa qualquer, porque o teu olhar fixa-se nela e quando ela olha para ti e sente o mesmo que tu, sentes que alguma coisa vai acontecer. Não sabes nada ainda, mas intuis, intuis com os teus sentidos, com o teu corpo e às vezes com o teu coração que aquela pessoa pode ter qualquer coisa para te dar, que não sabes o que é, mas sabes que um dia vais descobrir e que esse dia pode ser nesse momento, e é então que tiras os dados do bolso e os lanças para cima da mesa. Quando nos interessamos por alguém, nunca sabemos no que vai dar. Lançamos os dados como quem os deixa cair quase por acaso e muitas vezes nem queremos saber quanto deram: um e um, dois e quatro, três e três, cinco e dois, é sempre um mistério, porque a sorte também manda na vida, manda mais do que queríamos e menos do que gostávamos, por isso desconfiamos dela sempre que nos é favorável, mas aceitamos as suas traições como a ordem natural das coisas, por mais absurdas que sejam.Os dados caíram quando levantaste o copo e eu vi no chão seis e seis, vi-te a apanhar os dados e a rir, ouvi a tua voz e quando começámos a conversar, percebi que os dados estavam certos. Gostamos de tudo um no outro; eu gosto da tua casa, da tua música, da tua forma desligada de olhar para o mundo, tardes inteiras a repetir em stereo os melhores sketches do Gato Fedorento, os passeios à beira mar de camisola de lã com capuz, as polaroids com legendas e a forma como te divertes com tudo o que te rodeia. E tu gostas da minha alegria de viver, do meu sarcasmo cirúrgico, de dizer sempre tudo o que penso,sinto e quero, mesmo quando não estás preparado para me ouvir. Eu gosto de te conhecer e de te perceber, porque és diferente dos outros homens e tu gostas que eu te entenda melhor do que as todas as mulheres. E gostamos de estar um com o outro; à mesa, em casa, com amigos, sem amigos, com sono, sem sono, mas sempre perto quando estamos perto, mesmo que fiquemos longe quando nos afastamos. Acredito que todos temos direito a ter sorte e que, quando alguém aparece na nossa vida de repente, ou é porque nos vai fazer bem ou é porque nos pode fazer mal. E eu vi-te com bons olhos desde o primeiro momento, achei que me ias ajudar a limpar a tristeza, que a tua presença quase imperceptível na minha vida seria como um bálsamo, uma música perfeita e harmoniosa, um dia ao sol, ou uma noite em branco, daquelas que nos fazem pensar que a vida está cheia de surpresas boas e que vale mesmo a pena estar vivo, só para as saborear.Tu foste e és tudo isto, e ainda mais agora, que somos amigos; entre nós não há pesos nem amarras e o silêncio não quer dizer ausência, apesar da ausência reinar nos nossos dias. Quando lançamos os dados, nunca sabemos no que vai dar; tu podias ser um assassino encapotado e eu uma neurótica disfarçada, mas tivemos sorte, porque somos duas pessoas normais, com coração, e dois ou três princípios que nos fazem estar bem com a vida e com os outros.Só tenho pena de não ser dona do tempo, porque houve momentos que, se pudesse, teria vivido mais vezes ou mais devagar, como quem saboreia um chá de menta, ao fim da tarde, no largo da Igreja a ouvir os sinos. E como escrever é a melhor forma de falar sem ser interrompido, digo-te agora e sem rodeios, fica comigo mais uma vez, vem rir do mundo e adormecer nos meus braços, abrir o teu coração e sonhar acordado, vem ter comigo hoje, porque eu quero lançar outra vez os dados e aposto que vai dar seis e seis outra vez, porque os dados nunca se enganam e a amizade é o amor sem preço e sem prazo de validade.''

O toque.

Entrei dentro do consultório convicta do que ia fazer. Parecia ser a única solução para guardar todas as memórias que até então eram pequenos-tudo na minha vida.
Chamam-lhe o Cofre das Emoções. Basicamente escreves num papel muito fino e com caneta dourada todos aqueles momentos que foram bons demais para esquecer, para que um dia, quando assim for seguro, voltares e levá-los para casa sem ressentimentos ou mágoa.
O almoço de domingo em família que com a maior subtileza se apresentam pessoas às Pessoas.
O passeio na praia, não no verão, mas no inverno, onde quilómetros de areia se mostram mais solitários que  um de nós quando estamos separados.
O acordar no sofá da sala depois de uma noite de cinema, eu sei, a culpa é minha, sou eu que adormeço sempre a meio. 
O casamento daquela prima afastada que todos pensavam que nunca se ia casar (fui eu que apanhei as flores, devias começar a procurar um anel bonito).
O jantar de comida chinesa, sempre delirei com arroz chau-chau e chips de camarão.
A viagem ao Brasil.
O pequeno almoço na cama, café com leite para ti, café simples para mim.
O concerto do Ed Sheeran, na primeira fila, à espera que toque a ''Give me love'' quantas vezes eu quiser.
A noite em que ganhas um prémio com mais de três zeros.
A discussão para ver quem apaga a luz (no filme Ps: I love you, numa das primeiras cartas que o Gerry escreveu à Holly, pede-lhe que compre um candeeiro para a mesa de cabeceira, evitariam-se discussões e nódoas negras nos dedos dos pés por todas as vezes que batia na cama quando voltava às escuras - se nunca viste o filme, vê já).
A tarde de compras, revelaste-te pior do que eu, mas não são novidades.
O amanhecer de uma noite de conversas, nunca antes o nascer do sol parecera tão pacífico...
A pessoa da bata branca e ar infeliz pede-me as folhas e faz-me assinar um termo de responsabilidade em que a primeira frase dizia ''Eu (espaço para preencher), responsabilizo-me por guardar a sete chaves as memórias que outrora me fizeram feliz, comprometendo-me a vir buscá-las apenas e só quando o dia de depois de amanhã for seguro.'' E pensei ''o que é um dia seguro?'', quem me diz a mim que não é amanhã que o meu telemóvel toca aquando de receber aquele testamento que acaba com um simples ''vamos recomeçar.''? 
Apercebo-me que nunca tinha vivido nada do que tinha escrito, talvez a minha mão tivesse ganho vida própria e me quisesse mostrar o que ainda estava para vir.
Saí do consultório convicta de que não voltaria lá, aquelas não eram as memórias que eu queria guardar, são os pequenos-tudo que eu ainda tenho de viver e que me farão feliz quando o meu telemóvel tocar.


''Coisa''

"-Sabes uma coisa sem nome nem regras que se insinua dentro de nós? Uma coisa que se nos cola ás costelas, que não pede nada, que não espera nada, que não exige nada,  simplesmente é. Uma coisa de que não é preciso falar porque fala por nós. Uma coisa tão sublime e rara, tão visceral, tão intensa e ao mesmo momento calma e silenciosa. Um acordo tácito, por assim dizer. Um acordo tácito que nenhum dos dois pode atraiçoar sem que haja, pelo menos, um tufão, um ciclone, um tremor de terra, um tsunami. Sem que o céu se abra para nos anunciar o fim do mundo. Não havia compromisso nenhum, apenas esta coisa invisível que nos ligava. Apenas este... esta força misteriosa, secreta, só nossa." Rosa Lobato Faria em As Esquinas do Tempo

A vida é tão rara.

Sentei-me na cama e pedi à lua que me iluminasse bem o papel, queria escrever, escrever sem parar. Escreve a obra da minha vida. O texto que fizesse chorar as pedras da calçada. Da alma para o papel. 
E foi então que pensei que para escrever algo que fizesse justiça a tudo isso, teria de escrever sobre ti, sobre nós.
Já não escreveria sobre o que se passou, sobre o passado, mas sim sobre um futuro que poderia ser O futuro. E tudo começou a surgir... Na minha cabeça passavam-se cenas em modo de filme, as cores e os brilhos compunham-se numa sintonia perfeita e conseguia ver-nos de mão dada a conquistar passo a passo uma vida.
Uma melga picou-me e perdi toda a concentração desse momento cinematográfico e foi aí que percebi que no dia-a-dia é assim mesmo. Estás focada num sentido, naquilo que queres para ti e do modo como o vais conseguir, mas alguma coisa te desconcentra e perdes o norte. 
Sou uma pessoa que muito dificilmente perde o seu sentido, mas quando perde, é a sério. E sou assim porque quero planear a vida ao segundo, não quero ter surpresas desagradáveis pelo caminho, não quero ir na rua de saltos e um deles se partir e perder toda a elegância com que tinha saído de casa. 
E planeei essa elegância a dois, durante meses a fio via à minha frente o mundo a girar a meu favor, conspirando a nossa favor.
Como que num golpe de pouca sorte tudo se desmoronou, bastaram cinco segundos de uma loucura insana com palavras sem sentido na minha cabeça para perceber que também o mundo conspira contra nós mesmo quando parecia estar a fazer o contrário.
Levanto-me rasgo os papéis que já tinha escrito e atiro-os para o lixo. 
Recomeço.
Penso nos imprevistos, e nos não imprevistos. E só me consigo lembrar de uma mão a apertar a minha, de um nariz a procurar um cheiro característico, de uma lágrima que teima em cair e nesse preciso momento passa na rádio uma música que fez parar o tempo e apercebi-me que não preciso de escrever a obra da minha vida que faria chorar as pedras da calçada... Eu estou a vivê-la.


"Mesmo quando tudo pede um pouco mais de calma
Até quando o corpo pede um pouco mais de alma

A vida não pára...

E quando o tempo acelera e pede pressa
Eu recuso faço hora, vou na valsa
A vida é tão rara...
E quando todo o mundo espera a cura do mal
E a loucura finge que isso tudo é normal
Eu finjo ter paciência...
O mundo vai girando cada vez mais veloz
A gente espera do mundo e o mundo espera de nós
Um pouco mais de paciência...
Será que é tempo que me falta para perceber
Será que temos esse tempo pra perder
E quem quer saber, a vida é tão rara
Tão rara..."

Madrugadas Incertas

São 03:15h.
Parece que algo mudou, tens nos ombros o peso de uma mudança incerta.
Sentes que para aquela pessoa não tens mais o brilho que outrora tiveste, que já não é a ti que ela quer preparar o almoço para depois te acordar entre cócegas e beijos roubados enquanto te chama de dorminhoca, sabes que já não é o teu número que vai receber uma mensagem de bom dia só para te lembrar que acordou a pensar em ti ou uma de boa noite para que nas entrelinhas leias que a tua almofada devia estar ao seu lado.
É aí que vem a incerteza. A procura de respostas a perguntas que aparecem a mil de todos os lados. O que foi que correu mal? O que é que faltou? O que esteve a mais? (As pessoas esquecem-se facilmente que tudo tem de ter conta e medida, e preocupar por excesso, perguntar em excesso, estar lá por excesso, por vezes cria o defeito.) O que te vai na cabeça? Aliás, no coração? 
São 03:32h.
Deito-me e é entre lençóis e aquele arrepio nas costas que estas perguntas vão surgindo, que te apercebes que quem diz que o coração não dói é porque nunca sentiu que perdeu algo verdadeiro. Mas eu sinto, é aquilo que pensas. E continuo a sentir ou já estaria a dormir. Dou mais uma volta na cama. E outra. E outra, e outra, e outra. Por esta altura já tenho calor, puxo os lençóis para trás e lembro-me das vezes em que fui a culpada de uma cama desajeitada ou porque eu tinha calor e tu frio ou simplesmente porque fazer isso te chateava e eu achava piada.
Nem vale a pena entrar por aí, se fosse dizer todas as coisas em que te achava piada, no topo da lista estaria talvez a forma preocupada de arranjar o cabelo, a persistência para ter o toque certo. Talvez por isso, a altura do dia em que gostava mais do teu cabelo fosse ao acordar, ganhava o seu jeito mais natural que conjugado com olhos meios fechados e a voz rouca de quem já dormiu muito, fazia de ti a pessoa mais irresistível que já conheci.
Puxo a almofada talvez numa tentativa de te encontrar pelo meio e pergunto-me como serão os próximos dias.
São 03:49h.
Lembro-me exactamente do primeiro dia que te vi, a primeira vez que falámos, lembro-me de enquanto dormias olhar para ti e pensar ''É ele.''. E continuo a pensar. És tu. Quero que sejas e continues a ser. Com todo o teu ar misterioso de homem que esconde uma idade madura, com o ar de quem me tenta proteger de tudo o que pensas que pode me tirar o sono, com essa forma demasiada ajeitada que tens de viver a vida.
Aprendi que fazer planos para o futuro só vale a pena se passarem por escolher que doces te vou obrigar a comer ou que filme vamos ver no próximo serão, planear os próximos meses de nada nos vale se temos um amanhã incerto à nossa espera.
Li uma vez num livro que só há uma forma de prender aqueles que mais amamos: largá-los, deixá-los ir para onde eles quiserem, que se gostam de nós voltam sempre.
São 04:39h.
As horas voam e dou mais uma volta na cama. Acho que adormeci por alguns minutos e enquanto sonhava ouvia uma voz dizer "Acredita, todos os dias eu escolho não me apaixonar por ti. Só não tenho culpa se o meu coração é tão desobediente''.
O despertador toca e quase que consigo sentir a incerteza de um dia incerto.