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Razão & Coração

Há um vazio entre a boca e o coração talvez para que haja espaço suficiente para se saber o que se dizer quando esse órgão teima em falar mais alto que a razão. Deve ser um tipo de filtro natural que o corpo humano criou após longas jornadas de lutas psicológicas que o mundo travou desde a sua criação.
Mas depois, existem ''pessoas com o coração na voz'', aquilo a que se chamam os ''reféns de emoção''. Conheço poucos, infelizmente. E ainda hoje não sei se me encontro dentro desse leque de seres que vive assim mesmo, do coração para a boca, sem pensar, sem hesitar, sem disfarçar. 
Afinal, é o que meio mundo faz, disfarça. Disfarça aquilo que o coração diz para depois dar prioridade à razão. 
Porquê? "Vivemos numa sociedade que despreza os afectos, troça deles, acha-os lamechas, mas na escola devíamos estudar geometria emocional,aprender a reconhecer e valorizar as nossas emoções, respeitar sentimentos e a desenhar com eles uma constelação onde as várias forças se equilibrassem para nos permitirem sermos mais livres e autónomos, mais responsáveis e orgulhosos das nossas particularidades." in "apresentação de Ana Zanatti", livro do "Alta Definição"

Reflexões nocturnas

''É preciso sabermos sempre quando uma etapa chega ao final, se insistirmos em permanecer nela mais do que o tempo necessário, perdemos a alegria e o sentido das outras etapas que precisamos viver.
Encerrando ciclos, fechando portas, terminando capítulos. Não importa o nome que damos, o que importa é deixar no passado os momentos da vida que já se acabaram.(...) Podes passar muito tempo a perguntar por que é que isso aconteceu....
Podes dizer para ti mesmo que não darás mais um passo enquanto não entenderes as razões que levaram certas coisas, que eram tão importantes e sólidas na tua vida e que subitamente foram transformadas em pó. Mas tal atitude será um desgaste imenso para todos. Todos estarão a encerrar capítulos, a virar a folha, seguindo em frente e todos sofrerão ao ver que tu estás parado. 


Ninguém pode estar ao mesmo tempo no presente e no passado, nem mesmo quando tentamos entender as coisas que acontecem connosco. 
O que passou não voltará: não podemos ser eternamente meninos, adolescentes tardios, filhos que se sentem culpados ou rancorosos com os pais, amantes que revivem noite e dia uma ligação com quem já foi embora e não tem a menor intenção de voltar.
As coisas passam, e o melhor que fazemos é deixar que elas realmente possam ir embora...
Tudo neste mundo visível é uma manifestação do mundo invisível, do que está a acontecer no nosso coração... e o desfazer-se de certas lembranças significa também abrir espaço para que outras tomem o seu lugar.
Deixar ir embora. Soltar. Desprender-se. 
Ninguém está a jogar nesta vida com cartas marcadas, portanto às vezes ganhamos, e às vezes perdemos.
Não esperes que devolvam algo, não esperes que reconheçam o teu esforço, que descubram o teu génio, que entendam o teu amor. Pára de ligar a tua televisão emocional e assistir sempre ao mesmo programa, que mostra como tu sofreste com determinada perda: isso estará apenas envenenando e nada mais. (...)
Antes de começares um capítulo novo, é preciso terminares o antigo: diz a ti mesmo que o que passou, jamais voltará! Lembra-te de que houve uma época em que podias viver sem aquilo, sem aquela pessoa - nada é insubstituível, um hábito não é uma necessidade. Pode parecer óbvio, pode mesmo ser difícil, mas é muito importante.
Encerrando ciclos. Não por causa do orgulho, por incapacidade, ou por soberba, mas porque simplesmente aquilo já não se encaixa mais na tua vida.
Fecha a porta, muda o disco, limpa a casa, sacode a poeira. Deixe de ser quem eras, e transforma-te em quem és. Torna-te uma pessoa melhor e assegura-te de que sabes bem quem és tu próprio, antes de conheceres alguém e de esperares que ele veja quem tu és.
E lembra-te: Tudo o que chega, chega sempre por alguma razão."