.

.

As crónicas da Margarida

''(...) Volto à minha: os homens deviam vir com manual de instruções. Uma edição barata, tipo livro de bolso, mais ou menos do tamanho da bolsinha de pinturas. Dava mesmo jeito. Porque uma pessoa não consegue perceber e adivinhar tudo. Por exemplo, o que quer dizer: você é muito gira, depois telefono-lhe. O que é depois? É amanhã ou no próximo milénio? Também não percebo quando dizem que têm saudades, mas depois empanturram a semana com reuniões e jantares de trabalho. Ou quando passam horas ao telefone às segundas e sextas a dizerem-nos porque é somos fantásticas, mas não ligam nem terça, nem quarta, nem quinta. Se um dia começar a perceber alguma coisa, talvez me aventure a escrever um manual. Mesmo que já seja demasiado tarde para aplicar alguma coisa que entretanto aprendi, sempre fica para a próxima geração.''

As crónicas da Margarida