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Quero o mais, o demais ou o nada.

"Não sinto nada mais ou menos, ou eu gosto ou não gosto. Não sei sentir em doses homeopáticas. Preciso e gosto de intensidade, mesmo que ela seja ilusória e se não for assim, prefiro que não seja. Não me apetece viver histórias medíocres, paixões não correspondidas e pessoas água com açúcar. Não sei brincar e ser café com leite. Só quero na minha vida gente que transpire adrenalina de alguma forma, que tenha coragem suficiente pra me dizer o que sente antes, durante e depois ou que invente boas estórias caso não possa vivê-las. Porque eu acho sempre muitas coisas — porque tenho uma mente fértil e delirante — e porque posso achar errado — e ter que me desculpar — e detesto pedir desculpas embora o faça sem dificuldade se me provarem que eu estraguei tudo achando o que não devia.
Quero grandes histórias e estórias; quero o amor e o ódio; quero o mais, o demais ou o nada. Não me importa o que é de verdade ou o que é mentira, mas tem que me convencer, extrair o máximo do meu prazer e me fazer crêr que é para sempre quando eu digo convicto que “nada é para sempre”.

Gabriel García Márquez

Hoje, amanhã e depois

Desde pequena que me lembro de haver dias em que não me apetecia fazer nada, mas sempre os contrariei. Ora ficava a ver televisão até tarde, ou acordava cedo para ver desenhos animados horas a fio. Se não fossem estes desenhos animados, eu tinha de andar, pular, comer todas as porcarias que encontrasse cá em casa, de tal modo que a minha mãe chegava a um ponto que dizia ''Já chega, pára quieta!''. O que faz uma criança nesta situação? Que resposta óbvia: eu fazia pior ainda, não conseguia ficar ali sossegada, com o mundo lá fora à minha espera.
Hoje é diferente. Hoje há dias em que me apetece fazer tudo e mais alguma coisa, e não, não estou a falar de ver desenhos animados ou de ir pular até me doerem as pernas, falo sim, de ir ter contigo e dizer-te tudo o que preciso de te dizer. Mas com o passar do tempo eu percebo que interferir na tua vida sempre que me apetece não dá bom resultado, porque a tua vida, não é minha, nem ''nossa'', é só tua.
Tu fazes dela o que sempre quiseste, nunca deixaste que ninguém lhe mexe-se, nem por meio segundo. Aliás, por vezes até deixas, mas arrependeste no minuto seguinte e por isso sobes o patamar da segurança. Por isso, tudo o que tente não passa de uma tentativa falhada, de falar sem tu me ouvires, de eu gritar se for preciso e tu nem olhas.
Foi da última vez que te disse umas boas verdades e tu me respondeste com um simples 'ok', que eu prometi a mim mesma que das próximas vezes iria guardar para mim todos os sentimentos que tinha para exprimir mas que tu não queres ou preferes não ouvir, porque sabes que isso te vai bater forte e depois não consegues fazer nada com essas palavras.
Por isso, hoje, amanhã e depois, eu vou ficar sem fazer nada, mesmo que me apeteça virar o mundo e mudar-te a sorte, porque durante estes anos aprendi a ouvir a minha mãe, e é mesmo verdade que 'Estar parado também é uma acção'.